Relatos da vida moderna
Velhinha doce. Perto dos seus 90 anos. Nítidos sinais de problemas neurológicos. De férias com marido ainda muito ativo e aparentemente da mesma idade, filha apagada e de pensamento longe da mesa de família e genro estilo saloio iluminado dono de "stander" import-export de berma de estrada. Cena: Pequeno almoço de Hotel em família. Filha, calada e de olhos postos no prato a abarrotar e em equilíbrio instável (o conteúdo do prato, nitidamente. A senhora, aparentemente) come lentamente e em silêncio. Pai, fascinado com a oferta de escolhas possíveis para encher o seu já avantajado "cérebro descaído", vai na terceira viagem de reabastecimento entre a mesa e o buffet. Genro, alimenta-se alarvemente de grandes garfadas de ovos mexidos com bacon, enquanto noutra mão jaz uma sande de salmão e queijo fresco, em fila de espera para ser ingerida, e à sua frente um grande copo de sumo de pepino, cenoura e beterraba, da cor da terra dos vasos da varanda. A idosa, alheada, de ol...
Realmente, isto dá que pensar, a vida é efémera. E ficamos só com as lembranças do passado. E quando olhamos para trás esse passado está looonnngggeeeee.
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